Pular para o conteúdo

Contabilização de câmbio pronto: exportação, importação e variação cambial

O oitavo guia da série sobre contabilização de instrumentos financeiros: do faturamento da exportação e do desembaraço da importação até a liquidação do contrato de câmbio, com a variação cambial provisionada e realizada, a conta transitória de moeda estrangeira, o IOF câmbio e o spread do banco.
5 de outubro de 2026 por

O câmbio que liquida o comércio exterior.

Quem exporta recebe em dólar e precisa de reais. Quem importa tem reais e precisa pagar em dólar. O contrato de câmbio pronto é a ponte: a compra ou a venda de moeda estrangeira com um banco autorizado, liquidada em até dois dias úteis, dentro das regras da Lei 14.286/2021 e do Banco Central.

Até aqui a série tratou de aplicações e dívidas. Este guia entra no dia a dia da tesouraria de uma empresa que compra e vende para fora. A contabilidade tem três momentos: a operação comercial, em que nascem a receita ou o estoque e o recebível ou a obrigação em dólar; os fechamentos de mês, em que o saldo em dólar é atualizado; e a conversão, em que o contrato de câmbio transforma dólares em reais, ou o contrário, por uma taxa que quase nunca é a mesma registrada.

TemaExportaçãoImportação
Operação comercialReceita e clientes no exteriorEstoque e fornecedores no exterior
Taxa inicialTaxa do embarqueTaxa do desembaraço
Item monetárioRecebívelObrigação
Dólar sobeGanho cambialPerda cambial
Conta transitóriaMoeda estrangeira a converterMoeda estrangeira a adquirir
IOF câmbioAlíquota zero no ingressoIncide sobre a remessa

A planilha que este post percorre está aberta para download, com todas as fórmulas visíveis.

A planilha deste post Guia de Contabilização · Contrato de Câmbio Pronto XLSX · 21 KB · 3 abas · 23 eventos · 52 checagens · fórmulas abertas
Baixar a planilha

Fundamentos

Quatro ideias que este guia acrescenta.

Continuam valendo as regras de conversão do Guia 03: item monetário pela taxa de fechamento e variação cambial no resultado. O comércio exterior acrescenta quatro.

01

Receita na transferência de controle

A receita de exportação é reconhecida quando o controle do bem passa ao cliente, o que depende do Incoterm do contrato. É nessa data que se escolhe a taxa de conversão da receita.

CPC 47, itens 31 e 38
02

Estoque é item não monetário

A mercadoria importada entra pela taxa do desembaraço e fica por esse valor. A variação cambial da obrigação com o fornecedor vai para o resultado, não para o custo do estoque.

CPC 02 (R2), item 23 · CPC 16 (R1), item 11
03

Provisão e anulação da variação

No fechamento, recebíveis e obrigações em dólar são atualizados pela taxa do dia, numa conta de provisão que é estornada no dia seguinte. O que fica é a variação realizada na liquidação.

Política contábil do guia
04

A taxa contratada

O banco compra ou vende a moeda pela sua taxa, não pela PTAX. A diferença entre a taxa registrada e a contratada aparece na conversão e vai para o resultado financeiro.

Lei 14.286/2021 · CPC 02 (R2), item 28

A exportação

O caminho do dólar da exportação.

A empresa exporta US$ 250 mil com o dólar a R$ 5,40. A receita nasce por R$ 1.350.000 e não muda mais. O recebível, sim: no fechamento do mês ele é atualizado para 5,508, no recebimento a PTAX é 6,00, e a conversão pelo contrato de câmbio sai a 6,50. Cada degrau é um lançamento.

A taxa do dólar da exportação, do embarque à conversão No embarque, a taxa é 5,40 e a receita é de 1.350.000. No fechamento do mês, 5,508, com provisão de 27.000 anulada no dia seguinte. No recebimento, a PTAX é 6,00, e o recebível vale 1.500.000. Num novo fechamento, 6,05. Na liquidação, o banco paga 6,50, e entram 1.625.000. FIG. 1 5,4000 5,5080 6,0000 6,0500 6,5000 EMBARQUE FECHAMENTO RECEBIMENTO FECHAMENTO CONVERSÃO receita 1.350.000 +27.000, anulada +150.000 +12.500 +112.500 CPC 47 CPC 02, ITEM 28 CONTRATO DE CÂMBIO
A taxa do dólar em cada evento da exportação e o efeito em reais

Somando os degraus que ficam, R$ 150 mil até o recebimento, R$ 12.500 no fechamento seguinte e R$ 112.500 na conversão, o câmbio rendeu R$ 275 mil além da receita. É exatamente US$ 250 mil vezes a diferença entre 6,50 e 5,40. A provisão de R$ 27 mil do primeiro fechamento não fica: é anulada no dia seguinte.

Conta transitória

A conta que segura os dólares.

Entre o dia em que o cliente paga e o dia em que o contrato de câmbio é liquidado, o dinheiro já não é recebível, mas ainda não é real. O guia usa uma conta própria para esse intervalo: moeda estrangeira a converter, na exportação, e moeda estrangeira a adquirir, na importação.

A conta transitória de moeda estrangeira Na exportação, o recebível do cliente é baixado contra moeda estrangeira a converter pela PTAX, e a moeda vira reais no banco pela taxa contratada. Na importação, o fornecedor é baixado contra moeda estrangeira a adquirir pela PTAX, e a empresa compra a moeda do banco pela taxa contratada. A diferença entre as duas taxas vai para o resultado. FIG. 2 EXPORTAÇÃO CLIENTES NO EXTERIORrecebível em dólar MOEDA A CONVERTERdólares recebidos BANCO EM REAISdepois do contrato PTAX CONTRATADA IMPORTAÇÃO BANCO EM REAISreais pagos ao banco MOEDA A ADQUIRIRdólares devidos FORNECEDORESobrigação em dólar CONTRATADA PTAX A diferença entre a PTAX e a taxa contratada zera a transitória e vai para o resultado.
As duas pontas da conta transitória e a taxa que vale em cada uma

A transitória separa as duas taxas. O cliente e o fornecedor são baixados pela PTAX do dia; o banco liquida pela taxa contratada. A diferença entre as duas zera a transitória e vai para o resultado. Enquanto os dólares estão nela, a conta é item monetário e também é atualizada no fechamento, como no evento 6.

Premissas

O cenário do guia.

Uma exportação de US$ 250 mil e uma importação de US$ 190 mil, cada uma liquidada por um contrato de câmbio pronto. A política contábil do guia provisiona a variação cambial do fechamento e a anula no dia seguinte, e usa a conta transitória entre a baixa e a liquidação.

PremissaExportaçãoImportação
NocionalUS$ 250.000US$ 190.000
Taxa da operação comercial5,4000 no embarque5,0000 no desembaraço
Taxa de fechamento do mês5,50805,1000
PTAX na baixa6,00005,1000
Fechamento com a moeda na transitória6,0500—
Taxa contratada no câmbio pronto6,50005,1080
IOF câmbiozero0,38%
Tarifa do contratoR$ 800R$ 800
Cenário alternativoreal se valoriza 1,5%real se valoriza 1,5%

As taxas são redondas para que cada valor possa ser conferido de cabeça. Na exportação, o banco paga uma taxa bem acima da PTAX, o que não é o comum no mercado; o número serve para deixar a diferença na conversão visível.

O ciclo de vida

Onze lançamentos da exportação, dez da importação.

Cada fluxo tem duas fases: a operação comercial, com os fechamentos de mês, e o câmbio pronto. Avance evento por evento e troque de fluxo para ver a importação. A conta debitada fica marcada em cerceta e a creditada, em amarelo.

Peça interativa · razonetes ao vivo

Um evento de cada vez.

Evento 01 · passo 1 de 11 · Recebível de exportação

Reconhecimento da receita e do recebível

Data do embarque
DClientes no ExteriorCReceita de Exportação
R$ 1.350.000,00
USD 250.000 × 5,4000
Por quê

A exportação é faturada em dólar.

Débitos = créditos1.350.000,00
Resultado do ciclo0,00
Banco Principal0,00
Variação cambial líquida0,00
Os razonetes aparecem aqui.
Conta debitada no eventoConta creditada no eventoValores em R$

Os lançamentos da exportação, em uma tabela.

NºQuandoEventoDébitoCréditoValor (R$)
Reconhecimento e realização do recebível de exportação
1Data do embarqueReconhecimento da receita e do contas a receberDClientes no ExteriorCReceita de Exportação1.350.000,00
2Último dia do mêsProvisão de variação cambial ativa sobre o recebívelDClientes no ExteriorCVariação Cambial Ativa Provisão27.000,00
31º dia do mês seguinteAnulação da provisão de variação cambial ativaDVariação Cambial Ativa ProvisãoCClientes no Exterior27.000,00
4Data do recebimentoVariação cambial ativa realizada até o recebimentoDClientes no ExteriorCVariação Cambial Ativa Provisão150.000,00
5Data do recebimentoBaixa do recebível contra moeda estrangeira a converterDMoeda Estrangeira a ConverterCClientes no Exterior1.500.000,00
Contratação e liquidação do câmbio pronto
6Último dia do mêsProvisão da variação cambial sobre moeda estrangeira a converterDMoeda Estrangeira a ConverterCVariação Cambial Ativa Provisão12.500,00
7Data da liquidaçãoConversão da moeda estrangeira pelo contrato de câmbio prontoDBanco EntradaCMoeda Estrangeira a Converter1.625.000,00
8Data da liquidaçãoDiferença entre a taxa registrada e a taxa contratadaDMoeda Estrangeira a ConverterCVariação Cambial Ativa112.500,00
9Data da liquidaçãoTarifa do contrato de câmbioDTarifas BancáriasCBanco Saída800,00
10D+0Conciliação bancária do ingressoDBanco PrincipalCBanco Entrada1.625.000,00
11D+0Conciliação bancária da tarifaDBanco SaídaCBanco Principal800,00

O evento 12 é o cenário alternativo: se o real se valorizar 1,5% até o recebimento, o recebível perde R$ 20.250, lançados como variação cambial passiva.

Receita e câmbio

Receita fixa, câmbio no resultado.

A pergunta que a exportação sempre provoca é: quanto a empresa vendeu? A resposta contábil é R$ 1.350.000, a receita pela taxa do embarque. Os R$ 275 mil a mais que entraram no banco não são receita de vendas: são resultado financeiro, porque vieram do movimento do câmbio depois que a venda já tinha acontecido. Use a peça abaixo para separar as duas partes com outras taxas.

Peça interativa · exportação

Quanto é venda e quanto é câmbio.

01
Receita de exportaçãofica fixa
—
02
Variação até o recebimentoe a transitória
—
03
Diferença na conversãotaxa contratada
—
04
Reais no bancolíquidos da tarifa
—
Variação cambial no resultado—

A peça junta numa taxa só a PTAX do recebimento e a do fechamento em que os dólares ficaram na transitória, como no guia: 6,05. Tarifa e IOF fora da variação cambial.

Uma provisão que não é anulada

A política do guia anula as provisões de variação cambial no dia seguinte, e é o que acontece com o recebível nos eventos 2 e 3. A provisão do evento 6, sobre a moeda a converter, porém, não tem anulação: ela fica e é absorvida na diferença do evento 8. O resultado final é o mesmo, mas a rotina precisa ser uma só. A sexta pendência do guia pede para confirmar.

A importação

A importação e o custo do estoque.

Do outro lado, a empresa importa US$ 190 mil de mercadoria com o dólar a R$ 5,00. O estoque entra por R$ 950 mil e não se move mais: é item não monetário. A obrigação com o fornecedor é monetária e acompanha o dólar até o pagamento, quando a empresa compra a moeda do banco a 5,108 e paga IOF câmbio e a tarifa do contrato.

O que a importação custou e onde cada parte foi parar A remessa total foi de 975.007,98. O estoque ficou em 950.000, pela taxa do desembaraço. A variação cambial de 20.520, o IOF câmbio de 3.687,98 e a tarifa de 800 foram para o resultado financeiro. FIG. 3 EIXO A PARTIR DE R$ 940 MIL 950.000 +20.520 +3.687,98 +800 975.007,98 ESTOQUE VAR. CAMBIAL IOF CÂMBIO TARIFA REMESSA
A remessa da importação dividida entre o estoque e o resultado financeiro
NºEventoDébitoCréditoValor (R$)
1Reconhecimento do estoque e do fornecedor no exteriorDEstoque ImportadoCFornecedores no Exterior950.000,00
2Provisão de variação cambial passiva sobre a obrigaçãoDVariação Cambial PassivaCFornecedores no Exterior19.000,00
3Anulação da provisão de variação cambial passivaDFornecedores no ExteriorCVariação Cambial Passiva19.000,00
4Variação cambial passiva realizada até a liquidaçãoDVariação Cambial PassivaCFornecedores no Exterior19.000,00
5Baixa do fornecedor contra moeda estrangeira a adquirirDFornecedores no ExteriorCMoeda Estrangeira a Adquirir969.000,00
6Aquisição da moeda pelo contrato de câmbio prontoDMoeda Estrangeira a AdquirirCBanco Saída970.520,00
7Diferença entre a PTAX e a taxa contratadaDVariação Cambial PassivaCMoeda Estrangeira a Adquirir1.520,00
8IOF câmbio sobre a remessaDIOF CâmbioCBanco Saída3.687,98
9Tarifa do contrato de câmbioDTarifas BancáriasCBanco Saída800,00
10Conciliação bancária da remessaDBanco SaídaCBanco Principal975.007,98

Saíram do banco R$ 975.007,98, mas o estoque continua valendo R$ 950 mil. A variação cambial de R$ 20.520, que inclui o spread de R$ 1.520 sobre a PTAX, o IOF câmbio e a tarifa vão para o resultado. Frete, seguro e tributos de importação, que o guia não modela, entram no custo do estoque; a quarta pendência pede para confirmar esse tratamento.

A planilha lança a provisão do fechamento direto na conta de variação cambial passiva, e não numa conta de provisão, como faz na exportação. Com a anulação no dia seguinte, o efeito é o mesmo, mas vale padronizar as duas abas.

A prova

O que sobra no fim do ciclo.

Nos dois fluxos, recebível, obrigação e transitórias terminam zerados. Sobra o que a operação deixou.

ContaFluxoDébitoCrédito
Banco PrincipalExportação1.624.200,00
Tarifas BancáriasExportação800,00
Receita de ExportaçãoExportação1.350.000,00
Variação Cambial Ativa ProvisãoExportação162.500,00
Variação Cambial AtivaExportação112.500,00
Estoque ImportadoImportação950.000,00
Variação Cambial PassivaImportação20.520,00
IOF CâmbioImportação3.687,98
Tarifas BancáriasImportação800,00
Banco PrincipalImportação975.007,98

Um ponto de atenção: na exportação, a variação realizada até o recebimento fica na conta de provisão, R$ 162.500, e só a diferença na conversão vai para a conta de variação realizada. No resultado, as duas somam os R$ 275 mil de ganho cambial. Se a empresa quiser separar o que é provisório do que é definitivo, a variação do evento 4 deveria ir para a conta realizada.

Controle

O que a planilha confere sozinha.

As mesmas oito verificações da série, aplicadas às duas abas. Neste guia são 52 checagens, todas em OK.

E o que ela não decide.

Oito pontos ficam para a Contabilidade e o Fiscal validarem:

  • a alíquota de IOF câmbio por natureza da operação, inclusive a alíquota zero no ingresso de exportação;
  • a taxa usada no reconhecimento inicial e a fonte da conversão de fechamento;
  • a data de transferência de controle na exportação, pelo CPC 47 e pelos Incoterms do contrato;
  • o tratamento de frete, seguro e tributos de importação no custo do estoque;
  • se o câmbio pronto foi precedido de um contrato a termo que exija tratamento de derivativo;
  • a rotina de provisão mensal com anulação e o reconhecimento da variação definitiva na liquidação;
  • o uso da conta transitória entre a baixa e a liquidação do contrato de câmbio;
  • a classificação do spread da mesa como variação cambial, em vez de tarifa ou despesa financeira.

No sistema

Do guia para o SAP.

O câmbio pronto atravessa três áreas do SAP, e o guia mostra onde cada uma entra.

  • A operação comercial vem de vendas e compras. Receita, clientes, estoque e fornecedores nascem nos processos comerciais e de recebimento de mercadoria, em moeda estrangeira.
  • A variação do fechamento vem da avaliação de partidas em aberto. A avaliação cambial do razão (FAGL_FCV) atualiza clientes e fornecedores em moeda estrangeira e estorna o lançamento no período seguinte, exatamente como os eventos 2 e 3.
  • A variação realizada vem da compensação. Na baixa do cliente ou do fornecedor, a diferença de câmbio é lançada automaticamente.
  • O contrato de câmbio vem da tesouraria. No SAP Treasury and Risk Management, o câmbio pronto é uma operação de câmbio à vista, com os fluxos que geram a conversão, a diferença de taxa, o IOF e a tarifa.

Duas soluções da Dexterity trabalham em cima desse desenho:

  • Moedas, Juros e Índices (Dados de mercado): PTAX e demais cotações carregadas automaticamente no SAP, a base de todas as conversões do guia. Disponível.
  • Risco de Moeda e Juros (Reporting & Analytics): exposição a moeda das operações de tesouraria. Disponível.

Os detalhes estão em Soluções.

Para levar.

  • A receita de exportação nasce pela taxa da data de transferência de controle e não muda mais; o que o câmbio andar depois é resultado financeiro.
  • O estoque importado fica pela taxa do desembaraço; a variação cambial da obrigação vai para o resultado, não para o custo.
  • Recebíveis e obrigações em dólar são atualizados em todo fechamento, com provisão e anulação.
  • A conta transitória separa a PTAX da baixa e a taxa contratada no banco; a diferença entre as duas vai para o resultado.
  • No ingresso de exportação, o IOF câmbio tem alíquota zero; na remessa de importação, incide.
  • A mesma rotina de provisão precisa valer para todas as contas em moeda estrangeira, inclusive a transitória.
Próximo guia da série

NDF. O contrato a termo de moeda sem entrega física: o primeiro derivativo da série, marcado a mercado até o vencimento.

Perguntas frequentes

O que mais perguntam.

Como contabilizar uma exportação com recebimento em dólar?

A receita e o recebível são registrados em reais pela taxa da data em que o controle passa ao cliente. Em cada fechamento, o recebível é atualizado pela taxa do dia, com a variação cambial no resultado. Na liquidação do câmbio, a diferença entre a taxa registrada e a taxa contratada com o banco também vai para o resultado financeiro.

A variação cambial da exportação faz parte da receita?

Não. A receita fica pela taxa da data da venda, pelo CPC 47 e pelo CPC 02. O que o câmbio andar depois, até a conversão em reais, é variação cambial, reconhecida no resultado financeiro.

A variação cambial da importação entra no custo do estoque?

Não. O estoque é item não monetário e fica pela taxa do desembaraço. A variação da obrigação com o fornecedor vai para o resultado. No custo entram preço, tributos não recuperáveis, frete e seguro, pelo CPC 16.

Para que serve a conta de moeda estrangeira a converter?

Ela registra os dólares entre a baixa do cliente e a liquidação do contrato de câmbio. O cliente é baixado pela PTAX e o banco paga pela taxa contratada; a conta transitória separa as duas taxas e a diferença vai para o resultado.

Tem IOF no contrato de câmbio de exportação?

No ingresso de receitas de exportação, a alíquota do IOF câmbio é zero, pelo Decreto 6.306/2007. Na remessa para pagar importações, o imposto incide, e a alíquota depende da natureza da operação.

Sobre o autor

Marcelo Bernardelli Garcia

Consultor SAP Sênior · Dexterity IT Solutions

Consultor SAP sênior da Dexterity IT Solutions, dedicado a projetos de SAP Treasury and Risk Management: desenho de processos de tesouraria, configuração e contabilização de operações financeiras.

Fontes

Comitê de Pronunciamentos Contábeis, cpc.org.br: CPC 02 (R2), Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio, itens 16, 21, 23 e 28; CPC 47, Receita de Contrato com Cliente, itens 31 e 38; CPC 16 (R1), Estoques, item 11.

Legislação: Lei 14.286/2021, mercado de câmbio; Decreto 6.306/2007, art. 15-B.

Banco Central do Brasil, cotações PTAX.

Dexterity IT Solutions, Guia de Contabilização · Contrato de Câmbio Pronto, abas Configurações, Câmbio Pronto Exportação e Câmbio Pronto Importação.

Este texto explica a lógica contábil do guia e não substitui a análise da política contábil e da situação tributária de cada empresa.

Contabilização de mútuo passivo: juros a pagar, IOF, IRRF e variação cambial
O sétimo guia da série sobre contabilização de instrumentos financeiros: o mútuo visto por quem toma o dinheiro, com juros a pagar, o IOF como custo, o imposto de renda retido e recolhido, o valor justo nos mútuos com partes relacionadas e o mútuo em moeda estrangeira.